sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A porta não é tão segura quanto parece

Às vezes, tenho a leve impressão de que há demônios dispostos bem a frente da porta do meu quarto. Se alimentando de meu medo. Alimentando o medo. Estão vigiando. Apenas esperando um momento de fragilidade, afim de me tragar. Sem dó. Sem piedade.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amante

Me descubro como um perfeito amante. Amante de suas vontades, de seus desejos, de minha insanidade. Sou teu corpo mais fiel. Teu abraço mais quente. Tua mente mais obediente.
Me peças as estrelas e eu te trarei o céu. Me peças uma flor e eu te farei um jardim.
Me devora com um olhar, me tem de todas as formas e jeitos. Me agarra forte e me lembra que sou teu. Sou teu corpo mais fiel. Teu abraço mais quente. tua mente mais obediente.
Como em segredo, em um beijo, jurei ser teu amigo. Jurei estar aqui quando preciso. Jurei à você, o meu amor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Caio Fernando Abreu

Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas como alegria ou fé ou esperança. Mas só fico aqui parado, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada.

Submetido

E os dias vão se passando. Você acha que passa a ter determinadas certezas. Os dias continuam a passar e então você vê que não tem certeza de nada. Vive seu mundo de ilusões. Acredita em coisas que não são. Acredita em mentiras sinceras. E elas te interessam. E o pior, não consegue ficar sem. Sabe que, provavelmente, as coisas só estão existindo no seu mundo. Sabe que, provavelmente, o amor seja uma farsa. E isso te enlouquece. E isso te faz mal. Te aborrece. Te maltrata. Mas não vê como pode fugir, afinal, já se submeteu a essa condenação. De corpo e alma.

domingo, 12 de dezembro de 2010

E eu te quero, a cada espaço de tempo. Não consigo, eu simplesmente, não consigo sozinha. Eu preciso tanto de você. A vida já não é vida sem você.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Tornando a respirar

Talvez, eu possa ser um pouco mais forte do que eu pense. Porque de repente, sinto minha fé voltando. Sinto como ressuscitando de uma morte em que meu espírito tinha me abandonado e como um milagre, sinto-me viva. Respirando. Acreditando. Sendo positiva. Posso sentir de novo. Sentir menos frio, menos medo. Sentir que posso vencer isso. Seja lá o que for, esses demônios que estão sempre querendo me sufocar e me fazer desistir não são mais tão fortes. Pelo menos, não hoje.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Odor Mórbido

Eu não gosto de hospitais. Fede morte. Está em toda parte -desconsiderando maternidade, e mesmo assim, nem sempre é vida mesmo. Cada espaço é marcado pela sensação de doença, de fim. Mesmo com aquelas cores neutras nas paredes, nas roupas dos profissionais, com um jeito de te tranquilizar... Para mim, lá, os demônios estão disfarçados e você tem a sensação de que as coisas podem ficar boas. Não é assim que eu vejo.